Mais de 51 mil filhotes de quelônios são devolvidos à natureza no município de Carauari, no Amazonas

. As praias de areia branca da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) de Uacari e Reserva Extrativista (Resex) do Médio Juruá ganharam tons diferentes com a soltura de mais de 51 mil filhotes de quelônios, no município de Carauari (a 780 quilômetros de Manaus). A ação, promovida pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), visa garantir o aumento da população de quelônios na natureza, além da preservação e conservação das espécies de tartarugas e tracajás no Amazonas.

 

. Foi um espetáculo de beleza na natureza!

 

. A ação de soltura de quelônios estava dentro da programação da Gincana Ecológica, promovida pela Sema em conjunto com a Prefeitura de Carauari, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Associação dos Moradores Extrativistas da Comunidade São Raimundo (Amecsara), com o intuito de estimular a educação ambiental na população. A atividade foi realizada nos dias 5 e 6 de novembro e contou com a presença de 25 instituições governamentais e não-governamentais, além da participação de 502 ribeirinhos de 45 comunidades da região. Por se tratar de uma gincana, a programação foi pensada com atividades lúdicas e intervenções que estimulam a educação ambiental para crianças.

 

. Palestras das instituições envolvidas, apresentações de teatro e disputa de atividades esportivas foram algumas das ações realizadas com as crianças. O evento levou ainda serviços para os moradores da unidade de conservação. Segundo o gestor da RDS Uacari, Gilberto Olavo, a gincana e a soltura de quelônios é resultado de um trabalho dos moradores da região que se envolvem, desde o monitoramento dos tabuleiros, até a soltura dos animais na natureza.

 

. “É um evento muito lindo que soma os esforços das comunidades. A soltura só é possível graças ao comprometimento dos monitores em prol da preservação dos tabuleiros de desova. A participação das crianças é também de muita importância para ensinarmos que, no futuro, elas serão as responsáveis pela perpetuação desses animais”, destacou o gestor da RDS de Uacari.

 

. Ao todo, foram monitorados 17 tabuleiros em Carauari, com registro de 4.015 matrizes de quelônios, entre filhotes de tartaruga (Podocnemis expansa) e tracajás (Podocnemis unifilis). O trabalho de conservação dos tabuleiros de desova de quelônios é realizada há mais de 45 anos nas comunidades ribeirinhas no município de Carauari e já devolveu à natureza, entre 1977 e 2018, mais de 4,6 milhões de filhotes.

 

. A gincana é resultado das ações de órgãos como a Sema, ICMBio, Prefeitura de Carauari, Amecsara, com apoio do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), e conta com parceria com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Sitawi, Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Natura, Operação Amazônia Nativa (Opan), Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc), Cooperativa de Desenvolvimento Agroextrativista e de Energia do Médio Juruá (CODAEMJ), Casa Familiar Rural, Associação dos Moradores Agroextrativistas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Uacari (Amaru), Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê), Programa Território Médio Juruá, Jovens Protagonistas do Médio Juruá e Universidade Federal do Amazonas (Ufam), por meio do Programa Pé-De-Pincha.

 

Aumento da população de quelônios – O  trabalho de monitoramento dos tabuleiros de quelônios permitiu que as populações destes animais fossem recuperadas, com taxas crescentes de aumento de fêmeas desovando e gerando filhotes, o que induziu a recuperação populacional da Tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa) e outros quelônios ao longo de um trecho de 1.500 km do Médio Rio Juruá. Hoje, a região abriga uma importante população de tartarugas em rio de água barrenta no Brasil, com mais fêmeas produtivas do que muitos outros países da bacia Amazônica.

 

. A proteção dos quelônios nas praias contribuiu também para a geração de co-benefícios para outras espécies da fauna como aves aquáticas, peixes (principalmente, para os bagres e peixes carnívoros), jacarés, lagartos teiús, mamíferos que se alimentam de ovos e quelônios e até invertebrados, realizando um serviço ambiental de extrema importância para os ecossistemas de transição aquático-terrestre.

 

 

. As atividades de manejo são realizadas respeitando cotas estabelecidas por órgãos ambientais, garantindo que a população possa tirar seu sustento da natureza de uma maneira que garanta a conservação dos recursos naturais. Por acontecer em conjunto com atividades de monitoramento, o manejo de espécies ajuda na manutenção dos recursos, como é o caso bem sucedido do manejo de pirarucu no Amazonas.

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